Análises e Críticas

Raízes Faperj: inscrições terminam nesta sexta (14)

ResumoFaperj encerra nesta sexta-feira (14) as inscrições para o Programa Raízes, edital de R$ 6 milhões em parceria com o Ministério Público do Rio. O financiamento apoia pesquisas sobre população negra, povos indígenas, quilombolas e pescadores artesanais. Candidaturas devem ser submetidas até o prazo final para concorrer aos recursos destinados a projetos de investigação científica.

Terminam nesta sexta-feira (14) as inscrições para o Programa Raízes, da Faperj, em parceria com o Ministério Público do Rio. O edital de R$ 6 milhões apoia pesquisas sobre população negra, povos indígenas, quilombolas e pescadores artesanais.

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Raízes Faperj: inscrições terminam nesta sexta (14)
Raízes Faperj: inscrições terminam nesta sexta (14)Foto: Reprodução · Catavento

Inscrições para o Programa Raízes, da Faperj, terminam nesta sexta

Terminam nesta sexta-feira (14) as inscrições para o Programa Raízes, da Faperj, Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro. Realizado em parceria com o Ministério Público do Rio, o programa vai investir R$ 6 milhões no apoio a pesquisas voltadas à população negra e aos povos e comunidades tradicionais, como indígenas, quilombolas e pescadores artesanais. Entre os temas que podem ser propostos estão saúde, religiosidades e racismo.

O que é o Programa Raízes e quem pode participar

O Programa Raízes nasce de uma parceria institucional: a Faperj e o Ministério Público do Rio. O foco é direto: financiar pesquisas que coloquem a ciência a serviço de questões centrais para a sociedade brasileira. Não se trata de um edital genérico de fomento. A seleção prioriza projetos que dialoguem com a diversidade étnico-racial e religiosa, população negra, povos indígenas e comunidades tradicionais.

Quem pode propor? Pesquisadores vinculados a instituições de pesquisa e ensino. O edital prevê o financiamento de pelo menos trinta projetos. Cada projeto poderá receber até R$ 200 mil para sua execução, em 24 meses. As áreas contempladas são Ciências da Vida, Humanidades e Ciências Exatas, Tecnologias e Multidisciplinaridade.

Por que este edital importa agora

A presidente da Comissão de Equidade, Diversidade e Inclusão da Faperj, Letícia de Oliveira, resume a relevância da iniciativa. "Esse é um edital muito importante, porque coloca a ciência a serviço de questões que são centrais para a sociedade brasileira. Nós estamos apoiando pesquisas sobre diversidade étnico-racial e religiosa, população negra, povos indígenas e comunidades tradicionais. Consequentemente, vamos apoiar temas relacionados ao racismo, às desigualdades, à saúde, à educação dessas populações, à cultura e saberes ancestrais".

A fala de Letícia de Oliveira aponta uma mudança de prioridade. Em vez de apenas medir produção acadêmica, o edital quer medir impacto social. Isso não é retórica: o desenho do programa, com R$ 6 milhões e trinta projetos mínimos, indica um esforço concreto de direcionar recurso público para áreas historicamente subfinanciadas.

Critérios de avaliação: o que a Faperj vai olhar

Letícia de Oliveira explica que a escolha das pesquisas não se baseia apenas no mérito científico tradicional. "Nessa avaliação, nós consideramos três grandes dimensões: a qualidade do projeto, o currículo do coordenador e dos pesquisadores proponentes, a experiência do coordenador, do responsável, e a composição da equipe. Então, a composição da equipe, inclusive em relação à diversidade, vai ser um ponto importante de avaliação".

Ou seja, um projeto bem escrito pode não ser selecionado se a equipe for homogênea. A diversidade da equipe entra como critério explícito. Quem já passou por editais de fomento sabe: isso é raro. A maioria dos editais brasileiros avalia currículo e projeto, mas poucos incluem composição de equipe como dimensão de mérito.

Temas aceitos e áreas de pesquisa

Os temas são amplos, mas direcionados. Saúde, religiosidades e racismo aparecem explicitamente. A lista inclui ainda desigualdades, educação, cultura e saberes ancestrais. As pesquisas devem contemplar as áreas de Ciências da Vida, Humanidades e Ciências Exatas, Tecnologias e Multidisciplinaridade.

Na prática, um projeto sobre saúde da população negra pode concorrer. Uma pesquisa sobre religiosidades de matriz africana também. Um estudo sobre saberes ancestrais indígenas, idem. A multidisciplinaridade é um diferencial: o edital não engessa o pesquisador em uma única caixa disciplinar.

Como funciona o financiamento

O programa vai investir R$ 6 milhões no total. Cada projeto pode receber até R$ 200 mil, com execução em 24 meses. Isso significa que o edital pode financiar de trinta projetos (se todos forem no teto) até mais, se houver projetos com valores menores. O número mínimo de trinta projetos é uma garantia de capilaridade.

Para o pesquisador, o prazo de 24 meses é realista para pesquisa empírica. Não é um edital de fomento de curto prazo. O valor de R$ 200 mil por projeto permite, por exemplo, custear trabalho de campo, bolsas e insumos. como escrever um projeto de pesquisa competitivo

O que acontece depois das inscrições

Quem perder o prazo de sexta-feira (14) fica de fora. Não há indicação de reabertura. A avaliação seguirá os critérios descritos por Letícia de Oliveira: qualidade do projeto, currículo e experiência do coordenador, e composição da equipe. A diversidade da equipe será um ponto importante de avaliação.

O resultado deve ser anunciado após a análise das propostas. A Faperj não divulgou uma data específica para o resultado. O que se sabe é que o edital prioriza projetos que dialoguem com as populações negra e tradicionais. editais de pesquisa no Rio de Janeiro

Crítica: o que este edital acerta e o que deixa em aberto

O Programa Raízes acerta ao colocar diversidade como critério de mérito. Isso é um avanço concreto. Mas há pontos que ficam em aberto. O edital não especifica, por exemplo, como a diversidade da equipe será medida. Será por autodeclaração? Por análise documental? A Faperj não detalhou o método.

Outra questão: o valor de R$ 6 milhões é relevante, mas distribuído por pelo menos trinta projetos, dá uma média de R$ 200 mil por projeto. Para pesquisas em saúde e humanidades, esse valor é razoável, mas não é alto. A execução em 24 meses é adequada, mas projetos de campo com comunidades tradicionais podem exigir mais tempo.

Não há, na fonte, informação sobre contrapartida ou obrigações de divulgação científica. Isso não invalida o edital, mas quem está acostumado a ler editais com lupa vai notar a ausência. A transparência sobre critérios de diversidade seria um próximo passo natural.

Perguntas Frequentes

Quem pode se inscrever no Programa Raízes?

Pesquisadores vinculados a instituições de pesquisa e ensino. O edital prioriza projetos sobre população negra, povos indígenas, quilombolas e pescadores artesanais.

Qual o valor máximo por projeto?

Cada projeto pode receber até R$ 200 mil, com execução em 24 meses. O investimento total do programa é de R$ 6 milhões.

Quais áreas de pesquisa são aceitas?

Ciências da Vida, Humanidades, Ciências Exatas, Tecnologias e Multidisciplinaridade. Temas como saúde, religiosidades e racismo são priorizados.

Como a diversidade da equipe é avaliada?

A composição da equipe, inclusive em relação à diversidade, é um ponto importante de avaliação, segundo a presidente da Comissão de Equidade, Diversidade e Inclusão da Faperj, Letícia de Oliveira.

O que acontece se eu perder o prazo?

As inscrições terminam nesta sexta-feira (14). Não há indicação de reabertura. O edital prevê o financiamento de pelo menos trinta projetos.

Se você tem um projeto alinhado com os temas do edital, o prazo é curto. Vale revisar a proposta com atenção aos critérios de composição da equipe. A Faperj não deixou espaço para improviso: a diversidade é critério explícito de avaliação. O Programa Raízes é uma rara oportunidade de financiar pesquisa com relevância social clara. Não deixe para a última hora, mas também não subestime o peso da composição da equipe no resultado.

Caio Sttédile Marques
Sobre o autor · Crítico de Cinema e Streaming

Mapeia o que vale a pena na enxurrada de catálogo, do algoritmo à autoria.

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